O Aprendizado pelo Kata
Por Ricardo Pacca
O Kata é uma das ferramentas mais importantes
no desenvolvimento do judô. Quem não o
executa diariamente, o faz sem perceber que está
fazendo. Até mesmo os professores que não
gostam de fazer Kata, o fazem e o desenvolvem com os
seus alunos.
Para a Comissão de Grau da LIJUERJ, os Katas
significam formas e dividem-se em: Katas iniciantes,
intermediários e superiores. O Kata iniciante
é uma forma, ou seja, uma técnica. Um
grupo de Katas é um grupo de técnicas
iniciantes que formam um Kata intermediário.
Um Kata superior é a origem dos demais Katas
iniciantes e intermediários. Seu objetivo seria
o desenvolvimento do rapo-no-kuzushi, ou melhor, explicando
os oito pontos de kuzushi (desequilíbrio) descritos
por Jigoro Kano e estudados por ele minuciosamente.
Segundo Jigoro kano, se retirarmos uma única
peça do judô ele não existiria,
esta peça era o kuzushi. Assim sendo, o nague-no-kata
trabalha as matrizes técnicas do gokio dentro
do estudo do kuzushi, e em sua grande obra o koshiki-no-kata,
elevaria esta tese em seu conceito máximo que
seria retirar o centro de gravidade do oponente.
Pois então, se os Katas fazem parte do desenvolvimento
e da construção de um atleta, porque não
darmos à devida importância em sua prática
competitiva.
Foi através destas perguntas que a Comissão
de Grau da LIJUERJ desenvolveu a competição
de gokio-no-kata, aproveitando-se de uma prática
interna das academias, onde os katas intermediários
que cotidianamente são praticados e executados
para os exames de faixa em kyu, fariam parte de uma
exibição competitiva e elevaríamos
o conceito de Kata da academia e um contexto competitivo
de base, a fim de serem apreciados e estudados minuciosamente
por todos.
A partir do grande sucesso da divisão de faixas
nas competições da LIJUERJ, que consistia
no desenvolvimento das categorias iniciantes de base,
pensamos: porque não aplicarmos o mesmo conceito
e utilizando a mesma metodologia competitiva na vertente
do kata.
Foi aí que nasceu a idéia do gokio-no-kata,
kata esse que outrora fazíamos em seqüência
e obedecendo aos métodos pedagógicos deixados
pelo seu fundador, Jigoro Kano, que por muito tempo
não fora compreendido.
A falta de informação de alguns professores
perante este conceito pedagógico, que ficou perdido
pelo simples fato da não compreensão de
sua aplicação, leva os pretendentes à
faixa preta ao despreparo, e para levar o judô
em sua plenitude máxima, pensamos então
em uma metodologia na qual se pudesse desenvolver de
faixa em faixa a essência dos katas.
O gokio seria aplicado em seqüência, em kio,
por exemplo, day-ikio-no-kata a primeira seqüência
do gokio feita com ritual o day-nikio-no-kata a segunda
seqüência, day-sankio-no-kata a terceira
seqüência, day-iokio-no-kata a quarta seqüência
e day-gokio-no-kata a quinta e última seqüência,
em todas as seqüências o conceito de uke
e tori seria aplicado por ambos os lados em uma batalha
antagônica e demonstrativa.
Jigoro kano deixou o gokio e a sua seqüência,
em um estudo de graus de dificuldades de cada uma delas,
mais a obediência desta seqüência,
porém a aplicação das séries
do gokio não poderiam ser alternadas dentro do
desempenho de estudos de katas.
O campeonato de gokio-no-kata pretende desenvolver os
katas de base que foram pouco desenvolvidos aqui no
Brasil, pelo simples fato de que a falta de tradição
nesta área não fora incutida pelos japoneses
que por aqui passaram.
No intuito desta inclusão e de dar aos mudanchas
a oportunidade de ter um contato paulatino com os katas
até chegar aos katas superiores (nague-no-kata,
katame-no-kata e outros katas superiores) se faz necessário
o desenvolvimento de competições de kata,
em especial as competições de gokio-no-kata.
Para muitos é um grande mistério, mas
na opinião da comissão de grau da LIJUERJ,
é pura falta de tradição, o desenvolvimento
desta área que tão pouco é estudada
e ficou esquecida dentro do aspecto cultural do judô
no Brasil.