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COMPROMETIMENTO

Autoria: Anderson Telles


A partir de uma perspectiva regada por leis ou costumes, até onde vai o envolvimento de um indivíduo em relação à uma instituição? Será que o comprometimento deste indivíduo existe somente em função de recompensas e benefícios inerentes à condição dele ser membro de uma determinada organização? Nesta vertente o comprometimento parece estar pautado nas necessidades axiológicas que o homem possui.

Dentro de uma instituição existem vários interesses que levam o indivíduo a se motivar e se tornar mais comprometido. A maioria destes interesses são individuais, porém os interesses coletivos são muito relevantes, porque dão mais equilíbrio às relações humanas, harmonizando-as cada vez mais.

No contexto das prioridades axiológicas, a satisfação do homem deve acontecer através de formas específicas definidas pelo processo cultural que este homem foi inserido. A partir de uma avaliação, de caráter motivacional , estruturada em cima de valores que foram progressivamente desenvolvidos na sua formação, o comportamento deste homem frente às necessidades sócio-institucionais mostrará o seu grau de comprometimento.

As prioridades axiológicas do indivíduo expressam, além das suas motivações, as suas concepções daquilo que é bom para ele próprio, para a sociedade e para a instituição onde atua. Neste sentido, os valores possuem diversas funções importantes que são relevantes para as opções do indivíduo e para a compreensão do seu comportamento. A relação dos valores com as atitudes e com o comportamento se torna fundamental para a análise do comprometimento.

Numa abordagem afetiva o comprometimento é definido a partir da identificação e do envolvimento do indivíduo com a sua instituição compreendendo três dimensões: a aceitação dos valores, normas e objetivos da instituição; a disposição de investir esforços em favor da instituição e o desejo e a vontade de se manter membro da instituição. Em outras palavras, o comprometimento afetivo consiste numa relação em que o indivíduo deseja dar algo de si próprio para o bem-estar da instituição.

Indivíduos com forte comprometimento afetivo permanecem na instituição porque desejam, enquanto aqueles com forte comprometimento calculativo permanecem porque necessitam.

Levando-se em consideração a importância do impacto dos valores relativos ao trabalho, o comprometimento vai além do prestígio e do status social, ele representa a convicção de dever cumprido, onde toda a comunidade do judô sai ganhando, ou seja, o comprometimento representa o crescimento das relações interpessoais, se tornado extremamente importante para a ética social.

O comprometimento do professor de judô com a instituição nasce quando uma criança entra no judô, independente do seu contexto social. A família desta criança espera do professor o comprometimento com o desenvolvimento de valores que influenciem, de forma positiva, o caráter e o comportamento desta criança. O aluno está à espera de carinho e atenção; então a dedicação passa a ser fundamental para esta relação. A família, na maioria das vezes, não está a procura do melhor professor do mercado, no sentido do domínio técnico, ela está a procura do mais comprometido, aquele professor em que ela possa confiar, principalmente nas suas atitudes em relação a seu filho. Neste momento o professor cria um comprometimento com a instituição que gerencia o judô, a fim de poder oferecer, cada vez mais, o que tem de melhor e mais moderno no universo do judô para este aluno.

A proposta de gestão da Liga de Judô do Estado do Rio de Janeiro ( LIJUERJ ) em relação as relações humanas tem características positivas como: o caráter inovador, o grau de autonomia e participação dado aos seus filiados, a comunicação e a consideração da diretoria com toda a comunidade do judô. O impacto do suporte que a LIJUERJ oferece a seus filiados é percebido através do comprometimento que os mesmos estão adquirindo com esta instituição. Desta forma o comprometimento se torna uma espécie de identidade, uma identificação com algo que vale a pena.

Nos dias atuais o altruísmo não anda na moda, nem todas as pessoas têm a obrigação de serem altruístas. O equilíbrio se torna fundamental nas relações humanas. Partindo desse pressuposto, devemos ser um pouco mais comprometidos com tudo que fazemos, não precisamos ser altruístas, apenas mais comprometidos. Só isso já nos torna muito melhores.

O autor é diretor técnico da Lijuerj

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