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O JUDÔ NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Autoria: Julio Cesar Pannain


Inicialmente, cumpre registrar que o Judô no Estado do Rio de Janeiro teve início no antigo Estado do Rio de Janeiro, quando este ainda era separado do antigo Estado da Guanabara, que se fundiram em 1975, criando-se, então, o atual Estado do Rio de Janeiro.

Naquele contexto, o Judô do antigo Estado do Rio de Janeiro, teve início pelo Professor Yushimasa Nagashima que iniciou seus ensinamentos em Niterói por volta de 1958.

O Mestre Nagashima era faixa vermelha e branca, 6º Dan, graduado no Japão.

Sua primeira academia foi aberta no segundo andar do prédio em que se situava, também, o bar e restaurante "Chalé", na esquina da Praia de Icaraí com a Rua Miguel de Frias.

A reconstituição destes primeiros passos do Judô em Niterói ainda gera pequenas dúvidas mas tudo indica que, realmente, este foi o primeiro passo.

Iniciaram no Judô Nagashima desta academia, alguns alunos que, algum tempo depois, destacaram-se no Judô do atual Estado do Rio de Janeiro, o atual Professor Santo Marzullo e os irmãos Muniz (Eduardo, Edgar, Marcelo, Renato e Paulinho).

Cerca de dois anos depois, ou seja, em 1960 o Professor Nagashima passou a ensinar Judô no Clube Canto do Rio, onde tinha um auxiliar que residia com ele e ajudava-o nos ensinamentos aos alunos mais novos. Estamos falando do Satô, um jovem japonês com cerca de 25 anos.

No Judô Nagashima do Clube Canto do Rio iniciaram alguns judocas que, posteriormente, destacaram-se no Judô Estadual: Julio Cesar Pannain e Carlos Alberto Ponce de León, por exemplo.

Nesta época, alguns freqüentadores da academia do Canto do Rio já tinham sólidas nocões de Judô e/ou praticavam, também, outras modalidades de lutas ou artes marciais como o Jiu-Jitsu, a Luta Livre e a Defesa-Pessoal, o que tornava os treinos versáteis, profícuos e interessantes. Referimo-nos ao Paulo Vaz, ao Imbassahy, ao Índio, ao Barradas, ao "Mariozinho" e ao "Chico Casca Grossa", dentre alguns outros.

Nesta mesma época, o Mestre Nagashima passou a dar aulas também na ACM - Associação Cristã de Moços, na Lapa, no Rio de Janeiro e, algumas vezes, levava seus alunos do Canto do Rio para treinarem com os alunos da ACM, promovendo um interessante intercâmbio técnico-esportivo.

O Judô Nagashima-Canto do Rio, infelizmente, não durou muito tempo porquê o Clube iniciou grandes obras de reforma, que incluíram a área em que ficava o dojô.

Em torno de 1961 formou-se um grupo que treinava um pouco de Judô, Jiu-Jitsu e Defesa-Pessoal nos fundos da Igreja Presbiteriana da Rua Andrade Neves, sob a Coordenação do Professor Hugo de Souza que tinha uma boa noção destas modalidades, além de ter praticado boxe.

Este grupo treinava sobre uma lona que cobria cerca de vinte esteiras de palha e não havia qualquer espécie de remuneração ao Professor. O único custo para os novos integrantes era levar duas esteiras de palha para tornar o "tatami" um pouco mais macio.

Inicialmente com uma meia-dúzia de componentes, o grupo foi crescendo e alcançou mais de vinte integrantes, dentre os quais citaríamos o Raldênio, o Ralderes, o Ronaldo, o Ronald e o Carlos Strecht.

O Professor Hugo, também treinador de remo do Grupo de Reqatas Gragoatá, conseguiu transferir os treinos daquele grupo para o Grupo em meados de 1962. O novo local logo tornou-se conhecido e vários novos membros inscreveram-se naquele grupo que formou sua primeira equipe de Judô em 1963, disputando no ano seguinte, 1964, o Primeiro Campeonato Niteroiense de Judô, realizado no Clube de Regatas Icaraí.

A equipe do Gragoatá teve boa participação naquele campeonato municipal, conquistando o título absoluto (sem distinção de pesos) da faixa-verde através do Julio Cesar Pannain, ou "Julinho". Salvo engano, a faixa-verde foi a mais elevada daquela competição municipal que ainda não tinha nenhum atleta inscrito nas faixas acima da verde.

As outras Equipes inscritas no Primeiro Campeonato Niteroiense, em 1964, foram das academias que também formaram suas primeiras equipes mais ou menos na mesma época que o Gragoatá: A Academia Niteroiense, dirigida pelos Professores Santo Marzullo e Oswaldo Florentino, na qual destacaram-se vários atletas como o Ventapane - que mais tarde abriu sua própria academia - e o menino Carlos Alberto, O IPC - Icaraí Praia Clube, dirigido pelo Professor Jorge Nascimento, no qual destacaram-se vários atletas como o Gemal, o Armandinho e o Kanela (José A. Tanus) e o Instituto Abel, dirigido pelo Professor "Mariozinho".

Logo a seguir, inaugurou-se a Associação Tokyo de Judô e Karatê, dirigida pelo Professor Tokyo Mao, faixa-preta do 5º Dan no Judô e faixa-preta do 3º Dan no Karatê, com ambas as graduações no Japão, sendo certo que nesta Academia destacaram-se vários judocas como o Ubirajara, o Raul, o Oswaldo e o Manoel . O Professor Santo Marzullo abriu sua própria Academia, o Judô Clube Marzullo, no qual vários atletas se destacaram, como o Roberto Montenegro e o Heloísio, inaugurando-se, também, a Academia Oriente, dirigida pelo Professor José Barbosa.

Em 1966, foi fundada a Federação Fluminense de Judô, sob a Presidência do desportista Edú Magdalena e, no mesmo ano, realizou-se o Primeiro Campeonato Fluminense de Judô no IPC - Icaraí Praia Clube.

Os resultados do primeiro campeonato estadual foram os seguintes:

" Peso Leve (até 68 quilos) - Campeão: Julio Cesar Pannain (Gragoatá)
Vice-Campeão:Armando Campos Filho (IPC)
Terceiro Colocado: Mário Kawahito (Itaguaí)

" Peso Médio (até 80 quilos) -Campeão: Roberto Kwasinsky (Gragoatá)
Vice-Campeão:André Luiz Gemal (IPC)
Terceiro Colocado: ?

" Peso Pesado (acima de 80 quilos): Campeão: Jorge Nascimento (IPC)
Vice-Campeão: Rui Schaffon (Gra- goatá); Terceiro Colocado: José A. Tanus (IPC)

Deste Primeiro Campeonato Fluminense participaram, também, as equipes dos seguintes Municípios:

Duque de Caxias - Academia Lider, dirigida pelo Prof. Luete;
Itaguaí, dirigida pelo Prof. Shozo Ota;
Nilópolis;
Petrópolis;
São João de Meriti.

Na mesma época, 1965/1966, iniciaram-se os Campeonatos Estaduais Universitários, organizados pela FUFE, Federação Universitária Fluminense de Esportes e o Judô do Estado do Rio foi bastante estimulado pelo esporte universitário. E foi no esporte universitário que o Judô do Estado do Rio alcançou projeção a nível nacional.

A Equipe de Judô da FUFE que disputou os Campeonatos Brasileiros Universitários dos anos seguintes, 1967 e 1968, conquistou o Vice-Campeonato Brasileiro por Equipe naqueles dois anos, disputando a medalha de ouro de forma muito equilibrada com a Equipe de São Paulo. Esta equipe do Estado do Rio de Janeiro foi formada pelos judocas Ralderes Bonifácio Costa, Julio Cesar Pannain, Ryuetsu Togashi, Augusto Acyóli de Oliveira e Erçal Calvert, sendo certo que os últimos três praticavam judô na Guanabara mas cursavam suas faculdades em Niterói.

Em 1967, Julio Cesar Pannain foi Vice-Campeão Brasileiro Universitário também da sua categoria individual, o Peso Leve, perdendo a final para o renomado judoca Matheus Sukizaki, faixa-preta do 4º Dan de São Paulo. Ryuetsu Togashi, por sua vez, foi o Campeão Brasileiro Universitário do Peso Médio, vencendo, na final, de Massaru Saito de São Paulo. Pannain e Togashi foram convocados para a Seleção Brasileira Universitária que disputou o Campeonato Mundial Universitário de Judô, realizado em Tokyo no Japão.

Merece especial destaque a carreira desportiva do judoca Santo Marzullo que iniciou-a em Niterói mas desenvolveu-a no Rio, treinando no Judô Clube Hermany e, depois, na Academia Jorge Medhi. Marzullo sagrou-se, várias vezes, campeão do Estado da Guanabara, Campeão Brasileiro e, finalmente, Campeão Pan-Americano. Atualmente, mantém sua Academia em Niterói.

Merece destaque, também, o fato de que a Equipe do Gragoatá reuniu-se em outubro último (2003), ao completar 40 anos de sua formação (1963), cabendo transcrever aquí alguns trechos que foram lidos naquela oportunidade:

"... este encontro está significando um reencontro com a melhor fase das nossas vidas, a plena juventude, o ápice da nossa forma física.
É claro que a vida tem sido maravilhosa conosco e, apesar de alguns pequenos - e grandes - problemas de saúde, temos recebido dádivas maravilhosas de Deus. A maior delas, sem dúvidas, tem sido a nossa família e os nossos filhos.
Aqui estamos nós, reunidos após 40 anos de maiores ou menores afastamentos mas a verdade é que, há quase 40 anos, alguns de nós nem sequer se vê. Este é um grande erro que temos cometido pois as atribulações da vida não têm o direito de nos afastar de um dos nossos maiores tesouros que são os nossos amigos de verdade, com os quais juntos crescemos e evoluímos no esporte e na vida.
Aqui estamos nós, 40 anos depois, com muitos resultados a apresentar, principalmente se nos lembrarmos que nossa Grande Equipe se originou em um Clube tradicional de Niterói, formada por garotos e adolescentes de famílias simples e até modestas.
A maioria de nós recebeu dos pais uma sólida formação moral, embora quase nenhum bem material pois eramos um bando de jovens que tínhamos que "administrar orçamentos bastante apertados".
No entanto, estamos, hoje, aqui reunidos, um Almirante da Marinha Brasileira, um Desembargador Regional Federal, dois Juizes de Direito, um Corregedor da Procuradoria do Estado, um membro do Tribunal de Contas do Estado, ex-Diretor de grandes empresas, um Delegado de Polícia, executivos de grandes empresas, advogados, médicos e professores universitários, cabendo destacar que, não terá sido por coincidência, todos concluíram seus cursos superiores.

Duas ausências profundamente lastimáveis são do nosso Colega Sérgio Collares e do nosso Técnico e treinador Hugo de Souza que já mereceram um lugar na eternidade, certamente ao lado do Senhor.
Muito teríamos a lembrar aqui, se tivéssemos mais tempo, porém, como temos ainda outras atividades, vou passar a vocês uma montagem que registra que:
"ESTAMOS, HOJE, RETORNANDO AO HORÁRIO DE VERÃO DAS NOSSAS VIDAS". 18/10/03"

A foto anexa, registra o encontro acima mencionado da Equipe do Gragoatá, vendo-se da esquerda para a direita - em pés: José Antônio Werneck, Julio Cesar Pannain, EduardoCiambarella, Giacomo Chinelli, Roberto Kwasinsky, José Carlos M. Strecht, Ralderes B. Costa; ajoelhados: Paulo Muniz, Paulo R. Araujo, Edgar Muniz, Raldênio B. Costa e Eduardo Muniz.


O autor é faixa-preta do 2º Dan e pai de cinco judocas,
cujas graduações variam de faixa-azul (7 anos) a
faixa-preta do 2º Dan (31 anos).

 

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