
"A experiência passada adiante, como as águas do rio
Imaginemos que em dado momento, tenhamos que represar as águas de um rio, onde a partir daquele ponto, as águas sejam impedidas de correr. Teríamos a princípio duas situações avassaladoras: 1- até o momento da represa, haveria uma inundação das águas travadas, impedidas de correr para o mar, onde certamente destruições aconteceriam em grande escala.
E em um segundo estágio, teríamos o pós represa, que teoricamente teríamos um leito de rio seco, que no máximo se tornaria uma trilha para passagem de pessoas e animais, onde como conseqüência faltaria irrigação para os povoados a partir deste ponto. Portanto, chegamos a conclusão é melhor que as águas de um rio, fluam normalmente.
Assim é o conhecimento. Deve fluir, deve seguir adiante, deve ser passado adiante. E no Judô, não é diferente, o conhecimento, a informação tem que ser divulgada, até porque, o termo professor, é oriundo de professar, aquele que professa, aquele que leva a notícia adiante.
E por analogia, podemos perguntar, quem mais é detentor deste conhecimento ?
Salvo raras exceções, os detentores deste tesouro valioso, são os mais experientes professores e normalmente os mais velhos.
Todavia, neste país, um modismo exacerbado, não é capaz de valorizar personagens que construíram e constroem a história, e repito, no Judô isto não é diferente.
Temos espalhado por este país valores, verdadeiros tesouros em armazenamento de conhecimento, acumulado e construído por anos a fio, de luta, de força de vontade em não permitir que a arte pereça, dedicando muitas das vezes uma vida pelo Judô, e estão esquecidos, pois segundo uma visão míope e destorcida dos fatos, não são capazes de subir ao podium e dar uma medalha ao país.
Colônias Japonesas em pequenas cidades onde concentraram-se imigrantes, Mestres que souberam aproveitar a arte, enfim, infinitos e em centenas e centenas destes, espalham-se por este nosso gigantesco pais. E a pergunta é: Quem são ? quem os conhece ? quem os valoriza ?
Não há uma política de valorização do conhecimento, isto sim é a realidade. Não há grande interesse em refinar aquilo que pode ser lapidado, pois para lapidar, e principalmente ser lapidado, se requer paciência. Constância, foco, não é um resultado imediato.
Se os nossos mais experientes fossem ouvidos, se os Valiosos e verdadeiros detentores do conhecimento, pessoas simples e anônimas que na linha do tempo construíram uma carreira brilhante, voltada para a difusão do mais belo Judô arte, que os olhos podem contemplar, encontram-se como citei, isolados no anonimato.
Fica portanto, uma mensagem para futuras gerações para mudarem este quadro, valorizando aqueles que certamente têm “águas do rio a distribuir” mas que infelizmente somente são lembrados, nas mais das vezes, com a seguinte frase “saudades eternas de seus familiares” em uma brilhante fita roxa, com letras douradas, afixadas em uma linda e maravilhosa coroa de flores, no momento de seu velório e sepultamento.
Artigo escrito por
Luiz Carlos F Souza – 6º Dan
Judô Escola Nippon – Petrópolis
FILIADA À LIJUERJ
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