"Quem precisa de quem, diante da tecnologia "

Desde os primórdios, nos tempos das cavernas o homem sempre buscou uma forma de sobrevivência, onde pudesse lançar mão de algo que viesse a lhe facilitar os meios de caça para a sobrevivência diária, com isto, surgiram as ferramentas primitivas feitas de pedra e madeira, até a genialidade da descoberta do fogo e da roda.
Para tal avanço, precisou formar parcerias, que hoje chamamos socialidade, ou tornar-se sociável onde determinado indivíduo auxilia a outro em execução de suas tarefas, ou ainda, determinado grupo, colabora com outro grupo e isso faz com que vivamos em um mundo em que sempre dependeremos da ação de outra pessoa para nossa sobrevivência. Isto é a sociedade.
Com o passar de milhares de anos, chegamos à revolução tecnológica, onde já figuram veículos computadorizados, que são capazes de percorrer trajetos, sem a ação humana no sentido de dirigir este veículo.
E, paralelamente a isto, nos esportes, vemos surgir a cada dia, novos artifícios e objetos, capazes de otimizar resultados, marcas a serem batidas, performances apuradas dentre muitas conquistas e avanços neste sentido.
e, como as pessoas que utilizam todas estas recentes teconologias, fazem parte do contexto social que cito acima, na abertura desta reflexão, podemos afirmar que a dependência do desenvolvimento situa-se na ação de pesquisas de ciência e tecnologia em prol de uma melhora de resultados.
E temos a questão, em caso especifico do Judô, onde pesquisam-se tipos de tecidos, desenhos de golas, com expesurras mais grossas ou mais finas, maior volume, menor volume, maior ou menor densidade, enfim, um universo de combinações possíveis que viriam a otimizar resultados competitivos e de treinamento.
A questão é, até que ponto o avanço da tecnologia, impacta nas raízes do saber, onde geração após geração, são passadas técnicas, que também por sua vez, desenvolvem-se naturalmente com o tempo.
Aliado a tudo isto, temos a questão de pesquisas laboratoriais, onde desenvolvem-se novos suprimentos, capazes de fortalecer ao judoca, uma combinação de alimentos, uma dieta balanceada por nutricionistas especializados, enfim, a sociedade da qual falamos, onde as parcerias são uma verdadeira teia e emaranhado de combinações, visando um fim uma finalidade em que o resultado seja satisfatório e cada vez mais otimizado e perfeito.
Será que chegaremos ao ponto de que tamanha será a eficiência tecnológica que o ser humano não mais necessitará de um outro ser humano para treinar seu judô ?
O que teremos ainda a nos ser oferecido em termos de desenvolvimento tecnológico de sorte tal a não mais necessitarmos de outra pessoa para treinamento ? um robô ? um protótipo? treinamentos virtuais computadorizados ? isto já não é mais utopia, haja visto o jogo de Judô lançado há aproximadamente 2 ou 3 anos, onde temos como protagonista nada mais nada menos que David Douillet em um cenário fantástico onde treina-se Judô por computador ?
O que nos reserva o mundo do esporte em termos tecnológicos ? e mais, a não dependência de um outro ser humano em treinamento, certamente seria fator fundamental anti-espionagem, pois poderiam criar métodos e planejamentos em que nenhuma outra pessoa teria conhecimento a não ser o próprio interessado e praticante "individual" da arte.
Mas...creio que, por maior que seja o avanço tecnológico neste sentido, nada substitui o homem.
Nada substitui a emoção da superação de desafios em treinamentos com aquele que é seu amigo...muito amigo...que se deixa projetar centenas de vezes se for necessário, para colaborar com o avanço da performance daquele que projeta.
Nada substitui a felicidade de partilhar com um amigo,a emoção de passar adiante uma nova técnica aprendida,
Nada substitui o comprometimento da responsabilidade onde, se eu faltar ao treino hoje, talvez um amigo meu, não tenha com quem treinar, e ai, dizemos que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, e eu diria mais, somos eternamente responsáveis por aquilo que cultivamos
Nada substitui a emoção de abraçar ao amigo que sobe ao podium e saber que participei efetivamente desta conquista, pois treinei horas com afinco com este amigo
Toda tecnologia será sempre muito bem vinda, afinal, buscamos a proximidade de perfeiçao, e conforme dito pelo Shihan Kano, que somente a alcança quem a procura com constância sabedoria e humildade, todavia, nada disto tem valor, se não for para enaltecer e valorizar o esforço humano.
Portanto, que bom, que sempre precisarei de alguem para treinar comigo, e mais, que bom que minha régua de avaliação e comparação, será sempre, meu adversário !
Que bom que o o Judô é tão sociavel desta forma.
finalmente, Que bom que Precisaremos sempre de outro ser humano, para cultivarmos nosso Judô !!

Prof. Luiz Carlos F. Souza - 6° Dan
Petrópolis - RJ - Brasil
www.judoescolanippon.blogspot.com


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