
A ESSÊNCIA DO KIAI
Expor a essência do kiai, é uma tarefa dificil, devido a carencia de termos claros, e por se tratar de um assunto que entra na esfera filosofica do Judô. Mas, a importância do Kiai, é tão fundamental na arte marcial, que se justifica ao menos a tentativa de esboça-lo, ainda que parcialmente a sua essência. É o que veremos começar, pela melhor versão possivel dos termos fundamentais:
a terminologia KI, significa força, uma força universal, relativamente ao indivíduo, tambem dito força espiritual, ou simplesmente espírito. AI - união logo, temos como KIAI , a união espiritual.
O KI unido, concentrado, no índivíduo, constitui o Kiai; estes dois termos designam a mesma coisa no estado estático (latente) respectivamente dinâmico ( em movimento ).
Todas as pessoas possuem naturalmento o KI, em maior ou menor grau. O Kiai-dô, é a arte de cultivar o Kiai, isto é, a arte de acumular o Kiai e de o empregar em combate. O potencial atingivel pelo treino e efeitos consequentemente aproximam-se do indescritível.
Segundo a teoria marcial Japonesa, o Kiai, alma de todas as artes marciais, deve concentrar-se no baixo ventre, de onde explode toda a força e energia liberada pelo som do Kiai, onde encontra-se toda a fonted de ação marcial.
No processo de acumulação do Kiai, que muitas vezes se compara com a eletricidade, podemos por analogia avaliar teoricamente a potência do Kiai, pela expresssão VOLTS X AMPERES = WATTS. , o que determina a quantidade de potência
O emprego do Kiai, constitui uma liberação de força que pode ser súbita, ou lenta, Neste processo, estabelece-se a união espiritual entre os oponentes
Hikotaro, afirma que as regras a seguir, contem o segredo do Kiai
(cf Harrison, The fighting spirit of Japan)
"Não tenho pais, faço do ceu e da terra meus pais,
Não tenho casa, faço do saika tanden, a minha casa,
não tenho poder divino, faço da honestidade, o meu poder divino,
não tenho meios, faço da docilidade os meus meios,
não tenho poder mágico, faço da personalidade o meu poder mágico,
não tenho corpo, faço do estoicismo o meu corpo
não tenho olhos, faço do clarão do relâmpago, os meus olhos
não tenho orelhas, faço da sensibilidade as minhas orelhas,
não tenho membros, faço da prontidão os meus membros,
não tenho leis, faço da auto-proteção, as minhas leis
não tenho designios, faço do oportunismo os meus desígnios,
não tenho milagres, faço da lei justa os meus milagres
não tenho tática, faço da plenitude e vazio, a minha tatica
nao tenho talengo, faço do espirito pronto, o meu talento
não tenho amigos, faço do meu espírito o meu amigo
não tenho inimigos, faço de minha imprudencia, o meu inimigo
não tenho armadura, faço da benevolência e honestidade, a minha armadura
não tenho castelo, faço do espirito imóvel (fudo-shin) o meu castelo
não tenho espada, faço do espirito livre (mu-shin ) a minha espada.
A atuação da ressonância do kiai, temos para este ponto, as considerações que nos darão uma ideia sobre a atuação do kiai, por ressonância. Chama-se ressonância, a transmissão do movimento vribratório por influência. Quando um som de determinada frequência vibratória é emitido (soa ) na prosimidade de um corpo sonoro de frequência vibratória harmonica daquele, este entre em vibração (ressoa ), o som emitido adquire assim um notável reforço e potência. Chama-se um corpo sonoro ou vibrátil, um corpo capaz de emitir som. As frequências de dois ou mais sons dizem-se harmonicas, quando estão entre sí em harmonia e co-relacionados. Uma pequena força vibratória aplicada com insistência a um sistema oscilante, coloca este em bibração. Um exemplo desta potência vibratória, quando um batalhão atravessa uma ponte suspensa,em passo de marcha, temos um movimento vibratório devido ao som único emitido por todos os pés tocando nesta ponte ao mesmo tempo e de maneira uniforme, esta ponte coloca-se imediatamente em vibração, se a frequencia do passo se aproxima excessivamente a frequencia da ponte, temos uma ressonância, a amplitude crescente das oscilações, pode arrebentá-la, faz-se necessário portanto, "desacertar" o passo, ao atravessar a ponte.
Temos assim, uma noção da potência do kiai, quando entra este em ressonância em relação a frquencia vibratória do nervo auditivo do adversário. O abalo vibratório deste, pode tirar a concentração do adversário, face a anulação de resposta do nervo auditivo, inibindo assim, estímulos de ação e reação.
Vemos portanto, que o kiai, não é simplesmente um grito, ou um som alto, mas uma liberação potente de energia, capaz de inibir estímulos e reações do adversário.
Artigo
Filiado a LIJUERJ
JUDÔ ESCOLA NIPPON
Prof. Luiz Carlos F. Souza
5º Dan de Judô Kodokan
Petrópolis - RJ - Brasil
www.judoescolanippon.blogspot.com
Liga de Judo do Estado do Rio de Janeiro 2010©Todos os direitos Reservados. |