A PEDAGOGIA DO JUDÔ

       O treinador deve ter em mente que tudo quanto se ensina deve ser realizado de forma correta. Todos os treinadores sabem que é muito difícil e, em alguns casos, mesmo impossível corrigir defeitos adquiridos em uma incorreta iniciação.
   Muitas das vezes, é preferível omitir-se de ensinar a ensinar mal, ou promover uma aprendizagem que não se adapte as naturais possibilidades ou ao biotipo do judoca.
   Sendo o Judô um desporto de oposição, também chamado de combate com contato físico, o principio da segurança deve estar sempre presente em quem ensina. Nada mais desanimador que uma lesão que ocorre nas primeiras etapas de treino – não só para o lesionado, mas também parta os companheiros, que podem desmotivar-se e vir a abandonar a modalidade. O treinador deve estar atento em todo o tempo para que não haja acidentes.
   Todo o ensinamento deve ser simples, para que possa ser bem assimilado. A grande virtude do treinador é tornar o aparentemente complicado, numa forma simples de aprendizagem. Só é capaz de complicar o ensinamento, quem não sabe, ou, quem sendo um especialista, não seja capaz de transmitir.
   Um estado de espírito próprio às modalidades de luta em que se deve dar ênfase ao respeito pelo companheiro.
   Podemos afirmar que a noção de oposição, é inerente ao homem, mas, que no caso do judô, se utiliza essa energia vital que anima todo o trabalho de forma organizada, com regras, fundamentos.
   Deve-se apelar ao desenvolvimento de novas descobertas do aprendizado, graças a uma iniciação realizada de forma lúdica, e adaptada aos desportos de combate. Deste modo, as técnicas de aprendizagem podem ser transmitidas sobre a forma de blocos lógicos de aprendizagem, mas nunca antes das noções básicas de deslocamentos, esquivas, equilíbrio e desequilíbrio. As técnicas podem ser agrupadas conforme as ações determinantes do levantar, puxar, empurrar arremessar, enfim, dos princípios básicos do judô.
   O aquecimento deve ser agradável e variado, tornando-se pouco a pouco, especifico para a modalidade, e com preocupações de cada vez mais acentuadas no que chamamos capacidades determinantes do judô competitivo: velocidade, força e resistência.
   Curiosamente temos no ser humano a aversão em cair. Toda sua vida foi ensinado precisamente que ele não deve cair, assim, esse mecanismo já está instalado e deve ser progressivamente desmontado e o novo automatismo reimplantado, até que se torne tão natural como na criança que ao atingir a posição bípede cai frequentemente sem se machucar.
   Tal qual em diversos aspectos do ensinamento, devemos caminhar de uma aprendizagem global, para um ensino cada vez mais analítico.
   Um grande erro do treinador é a transmissão das técnicas segundo a sua própria concepção. É sabido que, quem aprende o executa de forma muito pessoal – a sua forma de percepção do movimento com as características inatas e adquiridas de cada judoca.
   Assim, deveremos sempre transmitir a técnica base, padrão ou clássica, apoiando em segundo momento corrigindo pontos importantes do estilo pessoal de cada judoca.
   O erro mais freqüente e infelizmente ainda instalado nos treinadores é o de que se ele próprio obteve expressivos resultados como competidor com determinada técnica, esta é uma “receita universal” e todos os seus alunos devem ter a mesma visão e devem utilizar-se desta técnica de forma igualitária. Esquece-se quem pensa assim, que cada ser humano tem características próprias, sendo algumas já inerentes ao nascimento e outras determinantes como produtos do meio, e, estas características nunca são iguais vão estar sempre presentes na interpretação, na leitura de todo e de qualquer gesto técnico.
Toda esta adaptabilidade acima descrita, pode ser resumida em um belo texto do Prof. Koizumi, que descreve o judô:

“O judô é semelhante à água”,

   A água flui, para alcançar um nível equilibrado. Não tem forma própria, toma a forma do recipiente que a contém. É indomável e penetra em toda a parte. É tão permanente e eterna, como o espaço e o tempo. Invisível no estado de vapor tem o poder de romper a crosta da terra. Coalhada em geleira, tem a solidez da rocha. Presta serviços inumeráveis e sua utilidade não tem limites. Pode ser turbulenta como as cataratas e pode ser calma, como a superfície de um lago, ameaçadora como uma torrente e saciadora como a água de uma fonte, em um dia de verão”.

Artigo

Filiado a LIJUERJ
JUDÔ ESCOLA NIPPON
Prof. Luiz Carlos F. Souza
5º Dan de Judô Kodokan
Petrópolis - RJ - Brasil
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